segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Usina de Belo Monte: as vantagens e desvantagens em sua realização

O que é Belo Monte? Belo Monte é um projeto de construção de uma usina hidrelétrica previsto para ser implementado em um trecho de 100 quilômetros no Rio Xingu, no estado brasileiro do Pará. O projeto prevê a construção de uma barragem principal no Rio Xingu, localizada a 40 km abaixo da cidade de Altamira, no Sítio Pimental, sendo que o Reservatório do Xingu, localiza-se no Sítio Bela Vista. A partir deste reservatório, a água será desviada por canais de derivação que formarão o reservatório dos canais, localizado a 50 km de Altamira. De acordo com a última alteração no projeto, os dois canais de derivação previstos foram substituídos por um canal apenas. Desta forma, o reservatório dos canais foi renomeado para reservatório intermediário. A área inundada pertence a terras dos municípios de Vitória do Xingu (248 km2), Brasil Novo (0,5 km2) e Altamira (267 km2). Prós e contras Belo Monte tem a seu favor o fato de que a potência instalada será de 11.233 MW, o que fará dela a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira, visto que a Usina Hidrelétrica de Itaipu está localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai. Será a terceira maior hidrelétrica do mundo e poderá fornecer energia para mais de 26 milhões de habitantes. A geração de energia limpa e a autosuficiência na sua geração são um diferencial invejável para a maioria dos países do planeta. O maior atrativo é a geração de energia barata: mil chuveiros ligados por uma hora dão um megawatt-hora (MWh). Em Belo Monte, 1 MWh custará R$ 22. Essa energia tirada de uma usina eólica custaria R$ 99. De uma solar, quase R$ 200. Mas devemos sempre analisar os dois lados da moeda para formarmos uma opinião. Então vamos observar o relatório do IBAMA como o fator contrário à Belo Monte. O Relatório de Impacto Ambiental, encomendado pela Eletrobras e efetuado pela Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht e Leme Engenharia, listou os impactos da hidrelétrica: 1.Geração de expectativas quanto ao futuro da população local e da região; 2.Geração de expectativas na população indígena; 3.Aumento da população e da ocupação desordenada do solo; 4.Aumento da pressão sobre as terras e áreas indígenas; 5.Aumento das necessidades por mercadorias e serviços, da oferta de trabalho e maior movimentação da economia; 6.Perda de imóveis e benfeitorias com transferência da população na área rural e perda de atividades produtivas; 7.Perda de imóveis e benfeitorias com transferência da População na área urbana e perda de atividades produtivas; 8.Melhorias dos acessos; 9.Mudanças na paisagem, causadas pela instalação da infra-estrutura de apoio e das obras principais; 10.Perda de vegetação e de ambientes naturais com mudanças na fauna, causada pela instalação da infra-estrutura de apoio e obras principais; 11.Aumento do barulho e da poeira com incômodo da população e da fauna, causado pela instalação da infraestrutura de apoio e das obras principais; 12.Mudanças no escoamento e na qualidade da água nos igarapés do trecho do reservatório dos canais, com mudanças nos peixes; 13.Alterações nas condições de acesso pelo Rio Xingu das comunidades Indígenas à Altamira, causadas pelas obras no Sítio Pimental; 14.Alteração da qualidade da água do Rio Xingu próximo ao Sítio Pimental e perda de fonte de renda e sustento para as populações indígenas; 15.Danos ao patrimônio arqueológico; 16.Interrupção temporária do escoamento da água no canal da margem esquerda do Xingu, no trecho entre a barragem principal e o núcleo de referência rural São Pedro durante 7 meses; 17.Perda de postos de trabalho e renda, causada pela desmobilização de mão de obra; 18.Retirada de vegetação, com perda de ambientes naturais e recursos extrativistas, causada pela formação dos reservatórios; 19.Mudanças na paisagem e perda de praias e áreas de lazer, causada pela formação dos reservatórios; 20.Inundação permanente dos abrigos da Gravura e Assurini e danos ao patrimônio arqueológico, causada pela formação dos reservatórios; 21.Perda de jazidas de argila devido à formação do reservatório do Xingu; 22.Mudanças nas espécies de peixes e no tipo de pesca, causada pela formação dos reservatórios; 23.Alteração na qualidade das águas dos igarapés de Altamira e no reservatório dos canais, causada pela formação dos reservatórios; 24.Interrupção de acessos viários pela formação do reservatório dos canais; 25.Interrupção de acessos na cidade de Altamira, causada pela formação do Reservatório do Xingu; 26.Mudanças nas condições de navegação, causada pela formação dos reservatórios; 27.Aumento da quantidade de energia a ser disponibilizada para o Sistema Interligado Nacional – SIN; 28.Dinamização da economia regional; 29.Interrupção da navegação no trecho de vazão reduzida nos períodos de seca; 30.Perda de ambientes para reprodução, alimentação e abrigo de peixes e outros animais no trecho de vazão reduzida; 31.Formação de poças, mudanças na qualidade das águas e criação de ambientes para mosquitos que transmitem doenças no trecho de vazão reduzida; 32.Prejuízos para a pesca e para outras fontes de renda e sustento no trecho de vazão reduzida.